Encontrei um
artigo publicado no dia 21/09/2011, pela nossa presidenta Dilma Rousseff,
ao renomado Financial Times, em resposta às críticas do aumento do IPI aos
carros importados. Mas o artigo superou as expectativas e não só respondeu às
acusações de protecionismo, como se mostrou um manual para resolução dos
problemas econômicos sofridos pelos países ricos. Mas até parece que eles vão
ceder aos conselhos do país colonizado!
Mesmo assim, é
interessante ler, tendo em mente os protestos na Europa contra as medidas de
austeridade e a recente vitória do Presidente Obama nos EUA.
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Brasil irá lutar contra os manipuladores da moeda
Dilma Rousseff, Presidenta do Brasil
Estamos
vivendo em dias turbulentos. A crise financeira de 2008 não acabou,
especialmente nas economias avançadas. Com crescimento ainda fraco, esses
países têm adotado políticas monetárias extremamente expansionistas ao invés de
adotar uma maior combinação de estímulo monetário e fiscal. Economias
emergentes estão sustentando o ritmo do crescimento, porém não podem assumir o
papel das potências mundiais sozinhas.
Economias baseadas em
reservas de moeda estão gerenciando a liquidez internacional sem um senso de
bem coletivo. Estão recorrendo a taxas cambiais subvalorizadas para assegurarem
sua participação nos mercados globais. Nesta onda unilateral, desvalorizações
competitivas criam um círculo vicioso que conduzem ao protecionismo de mercado
e de taxas cambiais. Isso tem trazido efeitos devastadores a todos,
especialmente para os países em desenvolvimento.
O grande
desafio para os próximos anos é tratar a dívida soberana e o desequilíbrio
fiscal em alguns países, sem parar – ou reverter – a recuperação global.
Somente o
crescimento econômico, baseado na distribuição de renda e inclusão social,
podem garantir recursos para pagar a dívida pública e cortar déficits. A
experiência da América Latina em épocas passadas mostram o quanto a recessão
traz perdas de produção, aumento das desigualdades sociais e desemprego.
Se querem
superar a crise, as maiores economias do mundo devem dar sinais claros de
coesão política e coordenação macroeconômica. Não haverá recuperação ou crescimento
confiante sem uma maior coordenação entre os países do Grupo dos 20. É
vital – em particular para a Europa – que eles recuperem o espírito de
cooperação e solidariedade mostrados no auge da crise.
É por isso que
o Brasil apoia o crescimento forte, sustentável e equilibrado do Quadro do G20,
que deve ser gerido por todos e para todos, sem exceções.
Outras
iniciativas são necessárias no campo internacional: maior regulação do sistema
financeiro, para minimizar a possibilidade de novas crises, e reduzir níveis de
influência. Devemos proceder com uma reforma das instituições financeiras
multilaterais, aumentando a participação dos países emergentes, que nesse
momento têm uma responsabilidade primária no crescimento econômico global.
É urgente o
combate ao protecionismo e todas as formas de manipulação da moeda, que dão uma
competitividade espúria em detrimento de parceiros comerciais. O G20 pode
oferecer uma resposta coordenada, em que grandes economias podem ajustar
políticas fiscais, monetárias e/ou cambiais, sem o receio de agir sozinhos. Um
sistema de mercado global aberto requer esse senso de confiança mútua.
Entretanto,
ameaçados pelos amplos fluxos de capital especulativo, assim como pela rápida e
insustentável valorização da moeda, países em desenvolvimento têm adotado um
regime de taxas cambiais flutuantes, como o Brasil, sendo forçados a tomar
medidas prudenciais para proteger suas economias e suas moedas nacionais. Não
iremos sucumbir a pressões inflacionárias vindas de fora. Com firmeza e serenidade
manteremos a inflação sob controle, sem abrir mão do crescimento econômico que
é essencial para a promoção da inclusão social. Nosso comprometimento pelo
desenvolvimento sustentável com estabilidade dos preços não é negociável e o
fino ajuste da política econômica irá sempre trabalhar para esse objetivo.
Quanto às
políticas de longo prazo, o Brasil recuperou a capacidade de planejamento em
áreas como energia, transporte, habitação e saneamento, redefinindo o papel do
Estado, com foco no desenvolvimento da infraestrutura social.
A descoberta
de grandes reservas de petróleo no mar irá abrir um novo ciclo de
industrialização, especialmente nos setores naval, petroquímico e bens de
capital. Irá também possibilitar ao Brasil a criar um fundo especial para investir
em políticas social, científica, tecnológica e cultural.
O país tem
fortalecido empresas de controle estatal, como a Petrobrás, Eletrobrás e bancos
públicos, para induzir o desenvolvimento. Através de ativos mecanismos de
defesa comercial, suportados por regras da Organização Mundial do Comércio, não
iremos permitir que a indústria seja prejudicada pela competição desleal.
O Brasil
também está comprometido em combater o desmatamento, especialmente na Amazônia,
promovendo agricultura sustentável e reforçar a matriz energética. Estou
convencida da necessidade de consolidar essas realizações, assim como tenho
certeza que todos nós a responsabilidade de suportar o re-equilíbrio da
economia mundial. É tempo dos líderes mundiais agir com determinação e ousadia.
Isso é o que o mundo espera de nós.
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Disponível em:
Para acessar o
artigo em inglês, clique aqui.
Título original: “Brazil will fight back against the
currency manipulators”.